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PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, menor número em cinco anos

PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, menor número em cinco anos
Ano foi marcado por política monetária restritiva no país, mas bom momento da agropecuária e do mercado de trabalho ajudaram a sustentar a expansão da atividade

A economia brasileira fechou 2025 com crescimento de 2,3%, informou o o IBGE nesta terça-feira. O resultado foi puxado pela agropecuária, que deu um salto no ano passado. Ainda assim, foi o pior desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) desde a pandemia.

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Após a recessão de 2020, com a reabertura das atividades, o PIB surpreendeu positivamente de 2021 a 2024, crescendo acima das projeções e até mesmo do ritmo que os economistas calculam como o potencial do país, mas 2025 registrou o menor avanço pós-Covid-19.

O número veio em linha com a projeção de analistas de mercado, que esperavam alta de 2,3%, segundo mediana calculada pela Bloomberg. Em 2024, a expansão foi de 3,4%.

No quarto trimestre do ano passado, o avanço foi de 0,1% em comparação com os três meses imediatamente anteriores, mostrando uma desaceleração já esperada. Todos os setores da economia perderam ritmo no fim de 2025.

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Agro tem salto, com safras recordes

A despeito do cenário macroeconômico com condições adversas, com juros elevados, as safras recordes de soja (+ 14,6%) e milho (+ 23,6%), concentradas principalmente no primeiro semestre do ano, impulsionaram a agropecuária do país, permitindo que o setor ajudasse a sustentar o crescimento da economia.

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O agro cresceu 11,7% em 2025, após queda no ano anterior. Segundo o IBGE, o setor respondeu por 33% de todo o crescimento da economia no ano passado. Apesar de não pesar tanto no total do indicador, com peso de 6,7%, a agropecuária subiu tanto que puxou a expansão. Isso significa que, sem ela, o resultado do PIB poderia ter sido de apenas 1,5%.

Mas o desempenho no fim do ano já aponta para uma desaceleração, com expansão de 0,5% nos últimos três meses, o que se somou ao maior impacto do aperto monetário na economia.

— Não que a taxa de juros não estivesse alta antes, mas a subida até 15% chegou em meados de 2024. Os economistas estimam que o efeito da política monetária leva cerca de 12 meses, e exatamente depois de um ano o efeito ficou maior sobre a economia. Isso se juntou com o menor peso da agropecuária, que foi maior no início do ano, o que provocou a estabilidade do segundo semestre — explicou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

A indústria, por sua vez, avançou 1,4% no ano. O crescimento teve como motor a extração de petróleo e gás e a própria exportação dessas commodities para outros países, que teve forte expansão mesmo em meio a um contexto de incerteza no comércio mundial, diante do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

— O tarifaço teve impactos muito pontuais. Os exportadores procuraram outros mercados e o Brasil já estava conseguindo exportar mais para outros países, de forma que os Estados Unidos já não estavam pesando tanto para as exportações brasileiras. Pode ser até que sem o tarifaço a gente teria exportado mais, mas ano passado a gente já exportou bastante — considerou Rebeca.

A indústria extrativa cresceu 8,6% em 2005, com a importação de duas plataformas no ano passado, o que contribuiu para o aumento da produção.

A indústria extrativa foi o segundo segmento com maior impacto no PIB de 2025, representando 15,5% de seu crescimento. Esse número, somado à contribuição do agro, indica que quase metade (48,5%) do avanço do PIB de 2025 foi baseado em commodities.

Os dois setores ajudaram a impulsionar as exportações, que cresceram 6,2% no ano.

No quarto trimestre, porém, o setor industrial apresentou queda de 0,7%, pior resultado desde o quarto trimestre de 2021, quando caiu 2,7%.

Plataforma P-51, que opera em Marlim Sul, na Bacia de Campos — Foto: Elcio Braga/Agência O Globo

Serviços e consumo perdem fôlego

O setor de serviços cresceu 1,8%, puxado por um mercado de trabalho robusto, com o desemprego registrando os menores números da história, e renda da população em alta. No entanto, assim como os demais setores, o desempenho perdeu fôlego no fim do ano, com expansão de 0,8% no quarto trimestre.

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A política monetária mais restritiva, com os juros em patamar ainda elevado — a Selic está em 15% ao ano — reduziu o apetite dos brasileiros no ano passado, com impacto sobre os serviços, que reúne desde segmentos como educação e saúde a restaurantes e hotéis.

Desempenho do PIB em 2025 — Foto: Arte O Globo

Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias avançou 1,3% em relação a 2024, com a melhora no mercado de trabalho, o aumento do crédito e os programas governamentais de transferência de renda.

Entretanto, esta taxa representa uma forte desaceleração em relação ao crescimento de 2024 (5,1%) devido, principalmente, ao efeito dos juros, explica o IBGE. No quarto trimestre, o consumo das famílias teve crescimento de 0,8%.

O arrefecimento desse setor teve impacto significativo no total do PIB, já que ele pesa cerca de 64% do indicador, olhando pela ótica da demanda.

— As famílias atingiram o recorde de endividamento ano passado, o que também influencia negativamente no consumo. A parte positiva que influencia setor é o mercado de trabalho, que continua com indicadores favoráveis, assim como os programas de transferência de renda do governo. Mas a política monetária restritiva, assim como o endividamento, tem puxado o setor para baixo — explicou Rebeca.

Investimento sobe, com importação de máquinas

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), isto é, o volume de investimentos cresceu 2,9% em 2025, puxada pelo aumento da importação de bens de capital e pelo desenvolvimento de software, além da alta na indústria da construção. Essas contribuições positivas compensaram a queda na produção interna de bens de capital, segundo o instituto.

No entanto, a disposição do empresariado para investir foi bastante reduzida. No ano passado, o investimento havia crescido 6,9%.

Área de movimentação de contêineres no terminal do Porto de Santos, em São Paulo: importações puxaram o investimento em 2025 — Foto: Jonne Roriz/Bloomberg

Novamente, o desempenho do quarto trimestre é ilustrativo para entender essa desaceleração. A queda de 3,5% dos investimentos nos últimos três meses do ano ante o terceiro trimestre foi o pior desempenho nessa base de comparação desde o segundo trimestre de 2021, quando o indicador caiu 4,7%, em meio ao vaivém da retomada da economia, após o pior momento da crise causada pela Covid-19.

PIB: os juros reduziram o ritmo, mas país continuou crescendo

A taxa de investimento em 2025 foi de 16,8% do PIB, contra 16,9% em 2024. A taxa de poupança, por sua vez, foi de 14,4% em 2025, ante 14,1% em 2024.

Já o consumo do governo cresceu 2,1% no ano passado.

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