As contas do governo central, que englobam Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, registraram um déficit primário de R$ 61,7 bilhões em 2025, segundo o Tesouro Nacional. Este número, no entanto, considera despesas não contabilizadas da meta fiscal. Com as deduções, houve um déficit de R$ 13 bilhões, dentro do intervalo estabelecido.
Em 2025: Dívida pública federal sobe 18% e chega a R$ 8,6 trilhõesTaxa Selic: BC prevê para março primeiro corte nos juros em quase dois anos. Veja os fatores que ajudamOs dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Tesouro. Com a arrecadação de dezembro, o governo conseguiu ficar dentro da meta de 2025, que era de resultado zero (equilíbrio entre despesas e receitas), com intervalo de tolerância entre déficit de R$ 31 bilhões e superávit de R$ 31 bilhões, ou 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).
O tamanho efetivo do déficit, de R$ 61,7 bilhões, é o mais levado em conta por especialistas, por ser o valor que reflete na dinâmica da dívida pública federal. Segundo o governo, no ano passado, a dívida do Tesouro cresceu em 18%, chegando em R$ 8,635 trilhões, a maior alta anual desde 2015.
Em 2024, o déficit primário registrado foi de R$ 43 bilhões, também dentro da meta. Excluído gastos não contabilizados na meta, o resultado da época considerado pela equipe econômica foi de R$ 11 bilhões.
— Considero o resultado do ano muito satisfatório, com todos os desafios apresentados —disse o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, em entrevista coletiva.
Mais Sobre Contas Públicas Contas do governo têm déficit de R$ 13,6 bi em agosto; em 2026, rombo é de R$ 94,9 bi O país que queremos: o destino do Bolsa FamíliaPara a contabilização da meta, são excluídas despesas como como gastos com precatórios e indenizações de aposentados, e exceções extras criadas por iniciativas do Congresso Nacional e Executivo. No total, em 2025 foram desconsiderados R$ 48,7 bilhões em gastos para o cálculo da meta.
Segundo o relatório do Tesouro Nacional, estes foram os gastos retirados do cálculo:
precatórios excedentes – R$ 41,1 bilhõesressarcimento de beneficiários do INSS que foram alvo de descontos ilegais – R$ 2,8 bilhões despesas temporárias de educação e saúde – R$ 2,2 bilhõesprojetos estratégicos de defesa nacional – R$ 2,5 bilhõesComo o GLOBO mostrou, as exceções aos limites de gastos públicos durante os três anos de vigência do atual arcabouço fiscal, aprovado em 2023, no primeiro ano do atual mandato do presidente Lula, devem superar R$ 170 bilhões até o fim de 2026, quando o petista deve buscar a reeleição.
Para Julianha Inhasz, a criação de muitas gastos fora da meta enfraquece a credibilidade do arcabouço fiscal estabelecido pelo governo Lula.
— É uma meta que está sendo cumprida em cima de um monte de exceção, e isso enfraquece muito a credibilidade dessa âncora fiscal. Além disso, o déficit primário ainda é muito alto, né. É um país com dívida elevada, juros muito altos, pouco espaço fiscal e a gente ainda continua gastando muito mais do que arrecada. E acho que essa dívida crescendo 18% no ano é assim, é absurdo. Então, eu vejo, no final das contas, esse resultado com muita cautela e muita preocupação — diz a especialista.
Para apurar falhas: Banco Central abre investigação interna sobre caso MasterA exclusão da meta das despesas temporárias de educação e saúde, por exemplo, foi aprovada pelo Congresso no final do ano passado. Os gastos com defesa nacional, por outro lado, foram excluídos após iniciativa do próprio governo Lula.
— Para avaliar a situação financeira e fiscal do governo é mais recomendado levar em conta o déficit primário, porque é ele que reflete o quanto que o governo gastou acima do que ele arrecadou, o termômetro, para dizer o quanto de fato o Executivo ficou dentro ou fora de um equilíbrio entre receitas e despesas — explica Juliana Inhasz.
O superávit ou déficit primário mede o total de despesas feitas pelo governo sem considerar o pagamento de juros da dívida pública. Sem as exceções, esse resultado anual funcionaria como um termômetro do esforço feito pelo governo para abater o montante principal do endividamento. Com o aumento dos descontos do cálculo, isso é o que cada vez menos expressam os números oficiais.
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