oMelhor.Net

Países da União Europeia aprovam acordo com o Mercosul, dizem agências G1

Países da União Europeia aprovam acordo com o Mercosul, dizem agências G1
A aprovação ocorreu apesar da oposição da França, da Irlanda e de outros países que temem impactos negativos sobre o setor agrícola, relataram diplomatas europeus.

Comissão Europeia aprova acordo com Mercosul

Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente nesta sexta-feira (9) o acordo comercial com o Mercosul, segundo diplomatas ouvidos pelas agências France Presse e Reuters.

A formalização dos votos ainda depende do envio de confirmações por escrito até as 17h no horário de Bruxelas (13h no Brasil), segundo as fontes.

📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça

A aprovação abre caminho para a assinatura do tratado, após mais de 25 anos de negociações. Apesar do apoio de setores empresariais e industriais, o texto segue enfrentando forte resistência de agricultores europeus, sobretudo na França. (veja mais abaixo)

🔍 De forma geral, o acordo comercial prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além do estabelecimento de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

Com o aval do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo. O tratado deve criar a maior área de livre comércio do mundo.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e gera impactos que vão além do agronegócio, alcançando também diversos segmentos da indústria brasileira.

LEIA TAMBÉM

Acordo pode baratear vinhos europeus e ampliar oferta de chocolates premium no BrasilEntenda os próximos passos até a assinatura e entrada em vigorAprovação provoca comemoração entre governos e protestos; veja repercussão

Mais de 25 anos de negociações

O acordo comercial acumula mais de duas décadas de negociações entre os dois blocos. A expectativa é que, mesmo diante da oposição declarada de países como a França, o Parlamento Europeu aprove o tratado.

A Comissão Europeia afirma que o acordo de livre comércio é o maior já firmado pelo bloco em termos de redução de tarifas, eliminando mais de 4 bilhões de euros (US$ 4,7 bilhões ou R$ 25,3 bilhões) por ano em impostos sobre as exportações da UE.

A estimativa é que o Mercosul elimine tarifas sobre cerca de 91% das exportações da UE ao longo de 15 anos;Enquanto isso, o bloco europeu deve retirar progressivamente as taxas sobre 92% das exportações do Mercosul.

Os blocos também concordaram em ampliar as cotas de produtos isentos no setor agrícola.

Segundo a Comissão Europeia e apoiadores do tratado, como Alemanha e Espanha, o acordo deve oferecer uma alternativa à dependência da China, especialmente no fornecimento de minerais críticos como o lítio, essencial para a produção de baterias.

Os defensores também afirmam que o acordo ajuda a mitigar os efeitos de medidas protecionistas, como as tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

1 de 2 Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul. — Foto: Arte/g1

Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul. — Foto: Arte/g1

Acordo sofre resistências

Apesar de a maioria dos Estados-membros ter se mostrado favorável à assinatura, o acordo ainda enfrenta resistência de alguns países, que apontam possíveis impactos sobre o setor agrícola.

Um diplomata da UE e o ministro da Agricultura da Polônia afirmaram que 21 países apoiaram o acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra. A Bélgica se absteve.

Para a aprovação, era necessário o apoio de pelo menos 15 países, que representassem 65% da população total do bloco.

Na véspera da votação, o presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou que Paris votaria contra o acordo. “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, escreveu em comunicado.

🔎 Entre produtores rurais da França, o acordo com o Mercosul é visto como uma ameaça, diante do receio de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a padrões ambientais diferentes dos exigidos pela União Europeia.

A Irlanda também se posicionou contra o tratado. Na véspera da votação, o primeiro-ministro Simon Harris anunciou que o país se juntaria à França, à Hungria e à Polônia na oposição ao acordo.

"A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado", afirmou Harris em comunicado.

Tanto a França quanto a Irlanda enfrentam protestos nesta sexta-feira em razão do acordo.

Itália tem papel decisivo

Nesta semana, a Itália — que até dezembro se mostrava contrária — sinalizou apoio ao tratado. A mudança teve peso decisivo e deu novo rumo às negociações, já que o desenho institucional da UE confere ao voto italiano caráter estratégico: a ratificação exige maioria qualificada no Conselho Europeu, com apoio de ao menos 65% da população do bloco.

Em dezembro, durante debates no Conselho Europeu, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o apoio da Itália estaria condicionado à consideração das preocupações do país, especialmente em relação aos impactos sobre o setor agrícola.

👉 Nos últimos dias, esse posicionamento foi reforçado por uma comunicação da Comissão Europeia, que propõe acelerar a liberação de 45 bilhões de euros destinados aos agricultores. Meloni avaliou a iniciativa como um “passo positivo e significativo”.

Na mesma linha, o ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, afirmou que a União Europeia passou a discutir o aumento — e não a redução — dos recursos destinados à agricultura italiana no período de 2028 a 2034.

2 de 2 Bandeiras de países da União Europeia na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França — Foto: Hassan Anayi/Unsplash

Bandeiras de países da União Europeia na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França — Foto: Hassan Anayi/Unsplash

Mercosul União Europeia Resumo do dia Inscreva-se e receba a newsletter Ops! OkTodo conteúdo