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Com balanço atrasado, veja os próximos passos do BRB para tentar cobrir rombo gerado pelo Master

Com balanço atrasado, veja os próximos passos do BRB para tentar cobrir rombo gerado pelo Master
Consequências da demora para apresentar soluções concretas ainda serão definidas pela diretoria do BC

O BRB descumpriu o prazo referente à apresentação dos resultados da companhia em 2025, que se encerrava nesta terça-feira, e ainda não tem uma data para a publicação dos documentos. Em comunicado ao mercado, o banco informou que a postergação se deve à necessidade de conclusão de auditoria forense contratada para investigar as operações com o Banco Master, alvo da operação Compliance Zero da Polícia Federal.

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"O BRB esclarece que a publicação das demonstrações financeiras referentes ao 3º (terceiro) e ao 4º (quarto) trimestres de 2025 será postergada, em razão da necessidade de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apuração dos eventos relacionados à operação “Compliance Zero”, bem como da adequada avaliação, pela Administração da Companhia e pelo Auditor Independente, de seus potenciais impactos", disse o banco, em nota.

O atraso acarreta multas tanto da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) quanto do Banco Central a partir desta quarta-feira. Na CVM, a multa é de R$ 1 mil por dia. Se a empresa ficar 12 meses inadimplente, pode perder o registro de companhia aberta. No BC, a cobrança diária é de até R$ 50 mil, mas limitada a 60 dias.

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O mais grave, porém, é que ainda está pendente o plano da instituição do Distrito Federal para fechar o rombo bilionário causado pelas operações com o Banco Master, que vinha sendo cobrado pelo BC para ser entregue junto com o balanço. Nos próximos dias, o regulador bancário deve chamar o BRB para cobrar explicações sobre o plano.

As consequências da demora para apresentar soluções concretas ainda serão definidas pela diretoria do BC, mas, segundo técnicos, todas as opções estão na mesa. São ferramentas disponíveis tanto a assinatura de termos de comparecimento, cobrando medidas específicas, quanto, em uma situação limite, ações mais drásticas, que envolvam uma intervenção.

Mas tudo deve ocorrer dentro do rito normal da supervisão e dentro dos prazos legais. O BC já havia determinado que o BRB adotasse medidas prudenciais preventivas, que podem ir desde recomposição de liquidez até impossibilidade de explorar novas linhas de negócios.

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Na prática, o descumprimento do banco estatal na apresentação dos resultados já agrava a situação do BRB no mercado, porque aumenta a desconfiança de clientes e investidores na capacidade financeira e na solidez do banco, sobretudo porque ninguém sabe oficialmente o tamanho do problema.

Ao desfazer a compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito, suspeitas de fraude, o BRB herdou diversos ativos do Master, cujo lastro também é duvidoso. Pelas contas do BC no fim do ano passado, era estimado um buraco de ao menos R$ 5 bilhões.

Já o presidente do BRB, Nelson de Souza, afirmou em fevereiro que o banco estimava uma necessidade de reserva de recursos para fazer frente a possíveis perdas de R$ 8,8 bilhões e um aporte do controlador, o governo do DF, de R$ 6,6 bilhões.

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Até o momento, não está claro, contudo, como será feita essa capitalização. O governo do DF aprovou a alienação prévia de nove imóveis públicos para contribuir com a solução, que têm valor total preliminarmente estimado em R$ 6,6 bilhões.

O plano A do BRB era constituir um fundo imobiliário com as propriedades, cujas cotas seriam compradas por investidores privados, mas parte deles tem problemas jurídicos. O governo do DF também formalizou um pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Nesta segunda-feira, a entidade respondeu que cobrou do BRB documentos adicionais para prosseguir com a análise da operação. São necessárias, por exemplo, mais informações sobre as medidas em curso dentro do banco, já que há informações de que o BRB tem vendido ativos para melhorar os índices de liquidez.

No próprio ofício do governo do DF, Ibaneis se comprometeu a enviar outros documentos, como plano de negócios, de capital e medidas internas em curso. Só depois que o banco efetivamente enviar esses dados é que a avaliação interna do FGC sobre o pedido de empréstimo começará, passando pelo conselho e pela área econômica da instituição.

Embora a linha de assistência financeira a uma instituição associada ao FGC esteja prevista no estatuto, o caso do BRB é mais delicado devido ao envolvimento com o Master, que já causou um prejuízo de mais de R$ 50 bilhões ao fundo.

De qualquer forma, o BRB também informou ao mercado nesta terça a convocação de Assembleia Geral Extraordinária para o dia 22 de abril para votar a proposta de aumento do capital social da empresa. Essa é considerada uma etapa formal para viabilizar de forma legal o aporte do controlador.

O BRB chegou a convocar uma AGE para o dia 18 de março, mas cancelou na véspera. Na ocasião, o banco alegou a necessidade de aprofundar os estudos técnicos "relacionados à estruturação de sua base de capital, incluindo a avaliação econômico-financeira de ativos e a análise de alternativas envolvendo fluxos de recebíveis de titularidade do Distrito Federal".

A medida foi tomada sob o argumento de que uma decisão liminar da Justiça gerou insegurança jurídica nos investidores que estavam dispostos a contribuir com a solução proposta pelo banco para resolver o rombo bilionário.

Pela proposta de aumento de capital, será emitido um total de até 1,675 bilhão de ações ordinárias, todas escriturais e sem valor nominal, com preço de emissão fixado em R$ 5,29. A emissão de ações totalizará, no mínimo, R$ 529 milhões, e, no máximo, R$ 8,860 bilhões. Assim, após a operação, o capital social poderia passar para um valor entre R$ 2,873 bilhões e R$ 11,204 bilhões.

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