O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) aponta que a influenciadora Virginia Fonseca induziu seus seguidores a apostar no Cabo Verde em partida contra a Argentina na Copa do Mundo de 2026. A afirmativa foi feita na ação civil pública ajuizada pelo órgão contra ela e a plataforma de apostas Blaze, na última quarta-feira, 8.
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A publicação foi feita nos stories da famosa, no dia 3 de julho, dia do mata-mata entre as duas seleções para os seus 56 milhões seguidores no Instagram. Ela afirmou que estaria "confiante" no desempenho do goleiro Vozinha, e colocou o link da casa de apostas "para quem também quiser apostar".
Notícias relacionadas Irmão de Virginia Fonseca reage após ser condenado por importunação sexual: 'O importunado fui eu' Virginia retoca visual e se compara a Haaland MP do DF propõe ação contra contra Virginia e Blaze por publicidade enganosa e pede R$ 120 mi de indenizaçãoSegundo o documento ao qual o Terra teve acesso, Virginia não advertiu claramente que se tratava de um conteúdo publicitário, “no qual aparentava realizar aposta própria na vitória de Cabo Verde”. O promotor Paulo Roberto Binicheski justificou ainda que ela pode, de fato ter apostado, “mas nem de longe retira a lesividade da conduta”.
Para ele, a influenciadora participou de uma "estratégia coordenada e sistemática", com alto potencial de perdas financeiras, o que se enquadraria na prática de rollover, que consiste na concessão de vantagens financeiras a promotores da marca mediante a captação de um número determinado de apostadores, o que é proibido conforme a portaria do Ministério.
“Quando essa figura pública exibe, em um Story, a realização de sua própria aposta em Cabo Verde, o receptor não processa a mensagem como publicidade explícita; ele a internaliza como um gesto pessoal de alguém de confiança. Do ponto de vista científico, este é o efeito máximo da relação parassocial aplicada à indução comportamental, transformando uma ação comercial em um endosso pessoal e íntimo”, argumenta.
Virginia Fonseca gasta R$ 1,5 mil em remédios nos EUA após recorrer à IA Foto: Reprodução/InstagramA ação proposta, em caráter de urgência, é proveniente da investigação inicial feita pela promotoria a partir de um relatório técnico que identificou mais de 42 mil reclamações contra a casa de apostas.
Binicheski apontou indícios de práticas abusivas, retenção sistemática de valores dos apostadores e imposição de metas de apostas aparentemente inatingíveis aos influenciadores parceiros.
"Sua audiência não a percebe como uma celebridade distante, mas como alguém próximo, autêntico, cuja vida cotidiana — casamento, filhos, viagens, hábitos de consumo — é acompanhada com regularidade e afeto. Quando essa figura pública exibe, em um story, a realização de sua própria aposta em Cabo Verde, o receptor não processa a mensagem como publicidade explícita; ele a internaliza como um gesto pessoal de alguém de confiança", afirmou.
Ainda cabe a Justiça apreciar o pedido do MP.
Promotoria pediu R$ 120 milhões de indenização e suspensão imediata de postagens dessa naturezaO MPDFT pediu que Virginia e Blaze sejam condenadas por publicidade enganosa e abusiva, além do pagamento de uma indenização de R$ 120 milhões por danos coletivos e individuais, sujeitos à devolução em dobro dos valores indevidamente captados, caso seja configurada má-fé objetiva.
Além da indenização, que devem ser revertidos em programas sociais que tratam de vícios em apostas, o promotor pede que os conteúdos dos influenciadores vinculados à casa de aposta sejam removidos, as cláusulas ilícitas do contrato da plataforma com Virginia sejam suspensas e ambos sejam obrigados a veicular campanha sobre os riscos das apostas, o superendividamento causado por essa prática e os direitos do consumidor.
Vírginia Fonseca no plenário da CPI das Bets: mais tietada do que questionada Foto: Agência SenadoEm nota, a defesa de Virginia alega que "tomou conhecimento, por meio da imprensa, nesta quinta-feira (9), da Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). As alegações serão respondidas tecnicamente nos autos. [...] a defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda".
Já a Foggo Entertainment Ltda, detentora da marca Blaze no Brasil, afirmou que ainda não foi formalmente intimada sobre o processo e que se "mantém comprometida com a transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país".
"Nossas operações e parcerias são sempre pautadas pelas melhores práticas de mercado, com foco absoluto na segurança de nossos usuários, seguindo princípios legais e normas aplicáveis, assim como com base nas diretrizes de Jogo Responsável. Assim que formalmente notificada, a Foggo prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes e a quem mais se fizer necessário", finalizou.
Leia a íntegra da nota da defesa de Virginia Fonseca
"A defesa de Virginia Fonseca tomou conhecimento, por meio da imprensa, nesta quinta-feira (9), da Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).
As alegações serão respondidas tecnicamente nos autos.
Contudo, cabe destacar que a própria petição inicial reconhece a existência de diligências ainda pendentes, incluindo a requisição de contratos e outras informações relevantes. Esses documentos são essenciais para o completo esclarecimento dos fatos, especialmente quanto à natureza do vínculo, à forma de remuneração e aos limites da atuação publicitária de Virginia Fonseca.
A defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda."
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