A ONG britânica de direitos humanos FairSquare protocolou queixa na 4ª feira (15.jul.2026) contra Gianni Infantino, presidente da Fifa, junto ao COI (Comitê Olímpico Internacional). A organização acusa o dirigente de violar as regras de neutralidade política do comitê por seu alinhamento público com Donald Trump (Partido Republicano).
Infantino ingressou no comitê em 10 de janeiro de 2020 e assumiu o compromisso de “respeitar a Carta Olímpica” e de “cumprir integralmente o Código de Ética do COI”, conforme cita o documento da FairSquare. A queixa tem peso institucional porque a expulsão de integrantes é uma das medidas que o COI pode adotar em casos de descumprimento de obrigações.
publicidade publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seNo documento, a ONG enumera 5 episódios em que Infantino teria desrespeitado as normas do comitê. O caso de maior destaque é a criação e entrega do Prêmio da Paz da Fifa a Trump durante o sorteio da Copa do Mundo, em dezembro de 2025.
publicidade“É isso que esperamos de um líder… o senhor definitivamente merece o 1º Prêmio da Paz da FIFA por sua atuação e por tudo o que conquistou ao longo de sua trajetória, mas o senhor conquistou isso de uma forma incrível, e o senhor sempre pode contar com o meu apoio, Sr. Presidente.”, disse Infantino na ocasião. Em 9 de outubro, já havia publicado no Instagram um texto pedindo publicamente que Trump recebesse o Nobel da Paz.
publicidadeEm 5 de novembro de 2025, durante entrevista no American Business Forum, em Miami, Infantino descreveu Trump como “um amigo muito próximo” e fez uma defesa pública da agenda política do republicano.
“No fim das contas, ele foi eleito com base no seu programa, com base no que disse. Ele está só colocando em prática o que prometeu fazer, então acho que todos nós devemos apoiar o que ele está fazendo”, disse o presidente da Fifa na ocasião.
publicidadeA queixa também menciona referências públicas de Infantino ao slogan “Make America Great Again” (MAGA). Em 20 de janeiro de 2025, depois de comparecer à cerimônia de posse de Trump em Washington D.C., publicou um vídeo no Instagram em que concluiu: “Juntos, vamos tornar não apenas os Estados Unidos grandes novamente, mas também o mundo inteiro.”
Em 19 de fevereiro de 2026, o dirigente esteve presente na inauguração do Board of Peace, iniciativa ligada a Trump, em que chegou a usar um boné estilo MAGA com as inscrições “45 – 47”, em referência aos 2 mandatos presidenciais do republicano.
A FairSquare afirmou que Infantino foi o único participante do evento a colocar o boné e que publicou um vídeo com a imagem em seu perfil no Instagram.
Caso Balogun e coleta de dadosAs duas violações adicionais envolvem o caso do jogador Folarin Balogun, jogador da seleção norte-americana, e um esquema de coleta de dados em fan zones da Copa do Mundo de 2026.
Em 1º de julho, Balogun recebeu cartão vermelho na partida entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina e deveria cumprir suspensão automática de um jogo, conforme o regulamento da Fifa.
Em 5 de julho, o Comitê Disciplinar da entidade suspendeu a punição, liberando o atacante para jogar contra a Bélgica no dia seguinte. No mesmo dia, o New York Times informou que Trump havia telefonado para Infantino nas horas seguintes à partida para pedir a revisão da suspensão.
Em 6 de julho, o próprio presidente americano confirmou a intervenção em coletiva de imprensa. “Aquilo não foi falta. Nem sequer foi uma infração”, afirmou. “Ele [árbitro] deu um cartão vermelho. Eu não sabia o que isso significava. Depois descobri que ele não poderia jogar o próximo jogo. Isso é muito injusto”, disse Trump.
A decisão foi criticada por federações europeias. A UEFA afirmou que a conduta da Fifa é “sem precedentes, incompreensível e injustificável” e “ultrapassou todos os limites”. A Federação Real Belga de Futebol declarou estar “surpresa” com a medida e declarou que analisa “todas as opções possíveis” para resguardar os direitos das equipes participantes.
Em 12 de julho, o jornal The Times informou que a decisão de suspender a punição a Balogun foi tomada unilateralmente pelo presidente do Comitê Disciplinar da Fifa, Mohammad Al-Kamali, sendo a 1ª vez que ele atuou como único árbitro em um caso, numa situação em que normalmente 3 membros decidem em conjunto.
A 2ª suspeita diz respeito à fan zone oficial da Fifa no National Mall, em Washington D.C. De acordo com a FairSquare, os dados de registro de pessoas que se inscreveram para assistir aos jogos no local foram coletados pela empresa Campaign Nucleus, fundada por um ex-gerente de campanha de Trump e que recebeu mais de US$ 2,2 milhões de comitês ligados ao Partido Republicano e ao próprio Trump.
Um relatório de integrantes democratas da Câmara dos Representantes dos EUA, publicado em 2 de julho de 2026, concluiu que “milhares de torcedores, sem saber, forneceram suas informações pessoais a uma entidade política partidária, o que poderia possibilitar futuras ações de marketing direcionado e divulgação de campanhas por parte dos republicanos.”
Esta não é a 1ª vez que a FairSquare aciona instâncias da Fifa contra Infantino. Em dezembro de 2025, a ONG protocolou uma queixa junto ao Comitê de Ética da própria entidade, ação que recebeu apoio formal da Federação Norueguesa de Futebol e de integrantes do Parlamento Europeu.
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