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Minério verde acelera competitividade e descarbonização Poder360

Minério verde acelera competitividade e descarbonização Poder360
Brasil tem potencial para liderar o mercado de pellet feed, um minério de ferro que reduz as emissões na produção do aço. Leia no Poder360.

Segundo maior produtor de minério de ferro do mundo, o Brasil tem potencial para liderar a transformação da indústria siderúrgica global, ligada a fatores de eficiência e sustentabilidade, por meio da produção do minério verde. Porém, de acordo com o setor, para aproveitar as próprias vantagens competitivas, o país precisa de políticas industriais voltadas à segurança jurídica, desburocratização, infraestrutura e financiamento.

Atualmente, as jazidas de minério de ferro estão concentradas em Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul. São consideradas estratégicas por serem fontes de matéria-prima para a obtenção do pellet feed, um minério com alto teor de ferro (acima de 66%) e baixa impureza. É considerado a base da descarbonização na produção de aço.

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Isso porque possibilita a “redução direta”, ou seja, transforma o minério em ferro metálico sem derretê-lo. Dessa forma, o alto forno não precisa ser usado e o consumo de carvão diminui, reduzindo em até 50% as emissões de CO₂ no processo produtivo, de acordo com o CCO da Cedro Mineração, Fabiano Carvalho. “A descarbonização já faz parte das decisões de investimento das grandes siderúrgicas. Empresas da Europa, Ásia e Oriente Médio avaliam novas rotas de produção, incluindo a redução direta. Isso coloca o minério de alta qualidade em uma posição cada vez mais estratégica no mercado internacional”, afirmou. 

Segundo ele, as vantagens de apostar no minério de ferro de alta qualidade vão além da sustentabilidade. Como o beneficiamento é mais complexo e inclui uma moagem ultrafina para reduzir impurezas como a sílica, o insumo tem um valor agregado mais alto na comparação com o sinter feed, o minério de ferro comum.

“O principal ganho está na possibilidade de agregar mais valor a uma atividade na qual o Brasil tem uma vantagem competitiva. Em vez de disputar mercado apenas por volume, podemos ampliar a nossa participação em um segmento que tende a valorizar cada vez mais qualidade, eficiência e menor intensidade de carbono”, disse o executivo.

Divulgação/Cedro Mineração A participação do Brasil no mercado mundial de ferro pode crescer com o pellet feed, segundo Fabiano Carvalho, CCO da Cedro Mineração

A demanda da siderurgia global está demonstrada no relatório “Mercado de minério de ferro”, da Business Research Insights. Conforme o levantamento, 47% dos produtores de aço aumentaram o uso de pellet feed em 2025 e 33% das mineradoras expandiram a capacidade de processar o minério de ferro de alta qualidade no mesmo ano.

No cenário mundial de produção de minério de ferro, o Brasil só fica atrás da Austrália. Além das reservas naturais, o país tem vantagens que o posicionam para liderar a descarbonização da siderurgia, diz Carvalho. Dentre as características favoráveis, destacam-se a:

capacidade técnica para produção de minério com alto teor de ferro;  matriz elétrica com forte presença de fontes renováveis; e  experiência consolidada na mineração.

De acordo com o executivo, o desafio está em ampliar a capacidade de beneficiamento das reservas e desenvolver projetos capazes de entregar ao mercado um produto adequado às novas exigências da siderurgia. Por isso, segundo ele, o Brasil precisa investir em uma política nacional.

“A oportunidade está em transformar essas vantagens em competitividade industrial. Isso exige investimentos privados, mas, também, uma política capaz de criar condições para que produção mineral, infraestrutura, inovação e descarbonização avancem de forma coordenada. A demanda internacional aponta nessa direção, e o Brasil precisa estar preparado para atendê-la.”

O avanço em previsibilidade e segurança jurídica também são importantes, pois os projetos de mineração são intensivos em capital. A Cedro Mineração, por exemplo, investirá cerca de R$ 3,5 bilhões na expansão das operações em Mariana (MG), incluindo aportes em equipamentos, energia e tecnologia.

A ampliação faz parte da estratégia da companhia, que tem produção atual de 7 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A meta da empresa é alcançar 20 milhões de toneladas anuais até 2030, sendo quase a totalidade desse volume em minério verde.

Leia mais sobre o pellet feed no infográfico.

Brasil e as oportunidades

No cenário de longo prazo, o Brasil avançou com o mercado regulado de carbono e a taxonomia sustentável, mas faltam mecanismos de incentivo a investimentos e linhas de financiamento voltadas à inovação, à descarbonização e à modernização industrial para o Brasil aproveitar a oportunidade, afirma Carvalho.

“Existe uma questão de tempo. Projetos minerais e logísticos levam anos entre planejamento, licenciamento, financiamento, implantação e início da operação. Se o Brasil demorar a criar condições para esses investimentos, outros fornecedores podem ocupar parte desse mercado”, disse.

Segundo ele, um exemplo é a NIB (Nova Indústria Brasil), ação de incentivo cuja previsão é liberar R$ 300 bilhões até o final de 2026. O programa tem o eixo Mais Verde, destinado a projetos relacionados à sustentabilidade da indústria. A meta é reduzir em 30% a emissão de CO₂ por valor adicionado no setor.

Na opinião de Carvalho, a parte regulatória é uma das que precisam avançar para destravar a produção do minério verde no país. De acordo com o executivo, é importante aumentar a eficiência dos processos de licenciamento e autorização, sem reduzir o rigor técnico ou ambiental.

Outro vetor considerado estratégico pelo CCO é a infraestrutura para o escoamento do minério. A Cedro Participações investirá R$ 5 bilhões em logística nos próximos 4 anos. Desse valor, R$ 3,6 bilhões serão destinados ao Porto do Meio, em Itaguaí (RJ); e R$ 1,5 bilhão a uma ferrovia que conectará Serra Azul (MG) à malha ferroviária nacional.

“A competitividade do minério não termina na mina. Ferrovia, terminais portuários, energia e capacidade de transporte têm impacto direto no custo e na pegada de carbono do produto entregue ao cliente. Para o país, isso mostra que uma política industrial para o aço de baixo carbono também precisa ser uma política de infraestrutura”, disse o executivo.

De acordo com Fabiano Carvalho, outros países estão investindo em minério de alta qualidade e tecnologias para uma siderurgia de menor emissão de carbono. Por isso, é importante o Brasil não deixar de se posicionar nesse mercado e aproveitar o momento para concretizar as próprias potencialidades.

“O mais importante é que exista uma visão integrada. O Brasil tem a matéria-prima e tem empresas dispostas a investir. Uma política industrial capaz de articular financiamento, infraestrutura, inovação e segurança regulatória pode ajudar a transformar essa vantagem mineral em liderança na cadeia de baixo carbono”, disse.

A publicação deste conteúdo foi paga pela Cedro Participações.

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