A profissionalização do esporte e a expansão do mercado de apostas transformaram a integridade dos resultados em um dos principais desafios da indústria esportiva. Com bilhões movimentados e a crescente atenção do crime organizado, o combate à manipulação de resultados passou a exigir mecanismos de prevenção, monitoramento e fiscalização. Um relatório da Sportradar mostrou que a América do Sul foi a região com maior queda no número de partidas de futebol sob suspeita de 2024 para 2025.
No Brasil, a regulação das bets, em vigor desde janeiro de 2025, reforçou esse papel ao estabelecer responsabilidades e procedimentos para identificar e comunicar possíveis fraudes. O país é referência na América do Sul, de acordo com especialistas.
Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seA posição de destaque do Brasil na criação de um ambiente seguro contra as manipulações foi um dos fatores que contribuiu para o número de partidas de futebol suspeitas na América do Sul sair de 209 para 132, uma queda de 37%. Ficou acima da redução global de 15%, com os casos suspeitos passando de 730 para 618.
Além da regulação sobre o setor, que inclui a Política Nacional de Prevenção e Enfrentamento à Manipulação de Resultados Esportivos, o combate à prática conta com tecnologias que permitem identificar padrões suspeitos no Brasil.
“Hoje, é possível saber quem está apostando, qual foi o volume dessa aposta, de onde está apostando e para qual conta bancária [o dinheiro] foi movimentado. Então, para a investigação, fica muito mais fácil. A geolocalização também é obrigatória. Se não estiver na mesma localidade, ou estiver fora do Brasil, [o site] bloqueia”, explicou o diretor de Relações Institucionais da Betano, Guilherme Figueiredo, em entrevista ao Poder360.
De acordo com Figueiredo, uma das contribuições da regulação para a fiscalização da integridade é a exigência de identificação dos usuários. Com isso, segundo ele, o monitoramento é realizado a partir de 5 pilares:
validação do CPF; reconhecimento facial; upload de documento; verificação de conta bancária; e geolocalização.Dentre os padrões para identificar movimentações suspeitas estão a concentração atípica de apostas em eventos ou resultados específicos; a criação repentina de múltiplos perfis com movimentações elevadas; as apostas simultâneas em diversas plataformas; a inconsistência em dados cadastrais e a incompatibilidade entre o valor das apostas e a capacidade de pagamento dos apostadores. A inteligência artificial é usada nesse monitoramento.
“Os operadores [de apostas] são os sensores do sistema. Existe uma distribuição normal das apostas e existem os momentos em que há uma diferença, um pico. Alguma anormalidade identifica um alerta, e esse alerta tem graduações. Todos [órgãos e entidades] recebem informação e, a partir daí, dão início a uma eventual investigação ou não”, disse Figueiredo.
Dessa forma, segundo Figueiredo, as empresas de apostas esportivas on-line funcionam como a 1ª barreira contra a manipulação, antes do repasse dos dados a entidades esportivas e autoridades.
Em caso de indício de irregularidades, os dados são enviados, dentre outros órgãos, à Ibia (Associação Internacional de Integridade em Apostas, na sigla em inglês); à Polícia Federal; à CBF (Confederação Brasileira de Futebol); à Fifa (Federação Internacional de Futebol); à SPA (Secretária de Prêmios e Apostas), do Ministério da Fazenda; e ao Ministério do Esporte.
Divulgação/Betano – 18.ago.2026 Os operadores de apostas são os sensores do sistema contra a manipulação de resultados, afirmou Guilherme Figueiredo, diretor de Relações Institucionais da BetanoAlém desse controle regulatório, o setor investe em práticas e iniciativas para garantir que as competições e as apostas ocorram sem manipulação. A Betano, por exemplo, fez uma ação voltada à integridade em 10 países da América do Sul, junto à Sportradar e à Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol).
A iniciativa envolveu treinamentos para atletas, árbitros e dirigentes, além de incentivar o desenvolvimento de plataformas nacionais de integridade e a cooperação entre os países.
Leia o infográfico sobre como identificar padrões suspeitos.
Start contra a manipulaçãoO monitoramento de indícios de irregularidades é a 1ª etapa do combate à manipulação. Outra frente é a conscientização dos atores envolvidos sobre pontos de atenção no ecossistema dos esportes. Atualmente, as modalidades-alvo de tentativas de manipulação são o futebol, o tênis e o basquete.
Já dentre os possíveis agentes da manipulação estão de atletas e árbitros a técnicos e dirigentes. Além disso, é comum organizações criminosas usarem o mercado de apostas esportivas para lavar dinheiro. As informações estão no Manual de Enfrentamento à Manipulação de Resultados Esportivos, lançado em abril deste ano pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Segundo Figueiredo, o desafio de assegurar a integridade pode ser maior dependendo das circunstâncias. É o caso, por exemplo, de uma modalidade ou campeonato com recursos financeiros limitados.
No futebol, a empresa tem buscado mudar a realidade nos campeonatos das séries B e C, cujas partidas, muitas vezes, não têm transmissão ou VAR (árbitro assistente de vídeo, na sigla em inglês).
“Atuamos apoiando competições para que tenham 100% das partidas transmitidas. Esse é um ponto muito importante do processo, porque se essa partida não é transmitida, fica muito mais suscetível à manipulação”, afirmou o diretor da Betano.
Segundo ele, o apoio não é necessariamente um patrocínio direto. “Quando a gente apoia um campeonato com placa, patrocínio, naming rights, isso favorece esse formato. Por exemplo, o Brasileirão, agora Brasileirão Betano, tem VAR semi-automático em todas as partidas. Isso não é um patrocínio direto. Mas certamente o valor que a gente investe não só nos campeonatos, como nas placas, permite o aumento da confiabilidade para o sistema”.
Leia o infográfico sobre como funciona a manipulação.
Tecnologia amplia capacidadeIdentificar esses padrões de manipulação também depende da análise de grandes volumes de dados. Por isso, a inteligência artificial é amplamente utilizada. No monitoramento internacional, a Ibia usa o Global MAP (Global Monitoring & Alert Platform), sistema alimentado pelos dados compartilhados por operadoras associadas, ou seja, as empresas de apostas esportivas on-line.
A plataforma monitora mais de 1,5 milhão de partidas em mais de 80 esportes por ano e acompanha mais de US$ 300 bilhões em volume anual de apostas. Em 2025, a entidade registrou 300 alertas de apostas suspeitas, em 16 esportes. O futebol e o tênis concentraram os maiores números, com 110 e 74 alertas, respectivamente.
No período, as bets associadas contribuíram para identificar a manipulação em 54 partidas. Segundo a associação, foram aplicadas sanções a 24 jogadores, equipes e autoridades, em 5 esportes.
A Sportradar também monitora eventos esportivos em diferentes modalidades e usa a IA para detectar padrões. Em 2025, a empresa identificou 1.116 partidas suspeitas em 12 esportes e 94 países. Mais de 99,5% dos eventos monitorados não apresentaram suspeitas.
Segundo Figueiredo, as empresas de apostas esportivas cooperam ativamente para garantir a integridade porque são as principais interessadas na confiabilidade dos resultados. “Para as casas das operadoras de apostas esportivas, a imprevisibilidade do resultado é fundamental. Se isso muda, normalmente somos nós que pagamos essa conta. As operadoras reguladas estão do lado da solução, da prevenção desse problema”.
A publicação deste conteúdo foi paga pela Betano.
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