Após tornar pública a denúncia de abusos sexuais que sofreu durante a infância, Bruna Feltes passou a receber centenas de relatos de pessoas que afirmam ter vivido situações semelhantes.
PublicidadeEm entrevista exclusiva ao ABCmais nesta sexta-feira (11), a jovem abordou a repercussão do caso, a dificuldade em lidar com a exposição e a importância de denunciar. Para Bruna, tornar a própria história pública também foi uma forma de incentivar outras vítimas a buscar ajuda e interromper ciclos de violência.
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Bruna em visita ao Jornal NH nesta sexta-feira (11) Foto: Reprodução
Segundo ela, a decisão de gravar o vídeo surgiu quando percebeu que a dor que carregava também fazia parte da realidade de outras vítimas. Bruna acredita que, se tivesse recebido informações que a ajudassem a reconhecer comportamentos abusivos, talvez tivesse conseguido compreender a situação de outra forma antes. Agora, ela vê na internet uma possibilidade de levar essa informação a outras pessoas.
“A gente está num momento em que eu acredito que existe a possibilidade de a gente barrar um ciclo. […] A minha forma de barrar o ciclo foi denunciando, expondo na internet e recebendo centenas de relatos de pessoas que passaram pelo mesmo. E o que eu falaria para essas pessoas, primeiramente, é: ‘Eu sinto muito e eu sinto tanto quanto'”, diz Bruna.
Ao receber os relatos de outras vítimas, Bruna também passou a enxergar a denúncia como uma forma de interromper um ciclo de violência que, segundo ela, atravessou diferentes gerações. Ela conta que o autor dos abusos teria cometido atos contra pessoas de diferentes idades e afirma que pretende seguir lutando para que seu caso não prescreva e para que a Justiça seja feita. “Perder eu já perdi, então eu estou tentando recuperar a minha dignidade. […] Se eu puder agregar, se eu puder mover montanhas pra agregar, eu vou fazer”, completa.
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Como buscar ajudaMas, depois de decidir falar, quais são os caminhos que uma vítima pode seguir? Em Novo Hamburgo, a Procuradoria Especial da Mulher, pertencente à Câmara de Vereadores, atua na proteção e apoio às mulheres. Conforme o órgão, é papel da entidade, assim como do Centro de Referência da Mulher (CRM) e de toda a Rede Lilás, conduzir a vítima de abuso sexual e de outras formas de violência pelo caminho a seguir.
“Nosso desafio é fazer com que, depois que ela pede ajuda, as portas se abram de forma articulada, e não que ela seja obrigada a contar novamente sua história a cada serviço”, explica.
PublicidadeQuando a vítima vai em busca do auxílio, é realizado o trabalho de acolhimento, orientação, encaminhamento e articulação da rede de proteção. A partir da necessidade apresentada, a entidade pode direcionar a vítima para os seguintes órgãos:
Centro de Referência da Mulher (CRM): acolhimento e acompanhamento psicossocial, orientação jurídica e encaminhamentos dentro da rede; Serviços de Saúde: atendimento médico, psicológico e demais cuidados necessários, especialmente nos casos de violência sexual recente; Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam): registro da ocorrência e encaminhamento para investigação; Brigada Militar (190) e Guarda Municipal (153): situações de emergência, risco ou necessidade de proteção; Ministério Público e Poder Judiciário: quando houver necessidade de providências judiciais e medidas de proteção; Defensoria Pública: orientação e assistência jurídica; Assistência Social e demais serviços da Rede Lilás: conforme as necessidades identificadas em cada caso.CLIQUE AQUI E INSCREVA-SE NA NOSSA NEWSLETTER
PublicidadeNos casos de violência sexual recente, a orientação é procurar um serviço de saúde o mais rápido possível. “Sempre que for possível e seguro, recomenda-se evitar banho, troca de roupas ou descarte de objetos que possam conter vestígios, até receber orientação profissional. As roupas e outros objetos relacionados ao fato podem ser preservados separadamente, sem lavar ou manipular desnecessariamente. Mesmo que a mulher já tenha tomado banho ou trocado de roupa, ela deve procurar atendimento. Isso não impede nem diminui seu direito ao atendimento e à denúncia”, afirma.
Em situações de risco imediato ou urgência, deve-se acionar a Brigada Militar pelo 190 ou a Guarda Municipal pelo 153. O Ligue 180 oferece orientação 24 horas. “O mais importante é reforçar que a mulher não precisa saber qual é a porta certa antes de pedir ajuda. Ao acessar um dos serviços da rede, ela deve ser acolhida, orientada e encaminhada de acordo com a sua necessidade”, ressalta o órgão.
A Rede Lilás realiza reuniões periódicas para avaliar os atendimentos, revisar os protocolos, identificar falhas e aperfeiçoar os métodos de acolhimento. “Cada profissional contribui dentro da sua área de atuação. A mulher pode receber atendimento médico e ginecológico, acompanhamento psicológico, além de apoio da assistência social e orientação jurídica, conforme as necessidades de cada situação. O mais importante é que esses atendimentos estejam conectados”, relata.
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Dados de denúnciaDe acordo com os dados informados pela Procuradoria Especial da Mulher de Novo Hamburgo, com base nas planilhas da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS), entre 2020 e 2025 foram registradas 326 denúncias de estupro em Novo Hamburgo.
PublicidadeSomando os casos de ameaça, lesão corporal, tentativa de feminicídio e feminicídio consumado, o número passa de 6,3 mil neste mesmo período. “São casos que chegaram até a delegacia, pois muitos casos chegam apenas em instituições e a vítima não faz a denúncia”, explica. Também chama atenção o perfil das mulheres atendidas: segundo a Procuradoria, a maior parte é formada por idosas e mulheres de meia-idade.
Veja vídeo:Bruna Feltes fala sobre repercussão e faz apelo após denúncia de abusos sexuaisAssista a este vídeo no YouTubeLEIA TAMBÉM
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