oMelhor.Net

Saudade aperta no peito : Homenagens e orações mantêm viva a memória dos entes que partiram em Canoas abc+

Saudade aperta no peito : Homenagens e orações mantêm viva a memória dos entes que partiram em Canoas abc+
Cemitérios registram movimento desde o começo da manhã desta segunda-feira 2

A segunda-feira (2) de sol começou com grande movimentação nos cemitérios de Canoas. Como é tradição, centenas de canoenses prestam homenagens aos entes que partiram neste Dia de Finados.

Publicidade

Para muitas pessoas, um dia de oração e reflexão, a data está associada à saudade de pessoas queridas que partiram, com cada um manifestando o luto do modo que considera o mais correto.

Devoção marca o Dia de Finados, nesta segunda-feira (2), em Canoas Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

FAÇA PARTE DA COMUNIDADE DO DIÁRIO DE CANOAS NO WHATSAPP.

Foi a saudade que motivou a aposentada Iria Teresinha Cavalersky a sair de casa cedinho para adornar e orar sobre a sepultura do falecido marido no Cemitério Municipal Santo Antônio.

“Ele morreu de câncer há 30 anos e nesta época é quando a saudade aperta mais no peito”, comentou a idosa de 83 anos. “Então, cumpro o ritual anualmente, saindo de casa a pé para vir orar. Deus me deu saúde para isso.”

É a saudade que também movimentou Nívea Isolda Leote, que decidiu novamente peregrinar a pé do bairro Mathias Velho, caminhando pouco mais de dez quilômetros, até o Cemitério Santo Antônio.

Publicidade

“Sinto muita falta do meu pai e da minha mãe”, diz. “Eles morreram há dez anos, mas parece que foi ontem. Nós éramos muito unidos e, quando partiram, uma parte de mim se perdeu”, lamenta a dona de casa de 56 anos.

Silêncio

Se alguns preferem orar e “conversar” com os que partiram em silêncio, outros preferem dizer qualquer coisa em alto e bom tom, como Clarestino Silveira, que visitou o túmulo da mãe após dois anos ausente.

“O que tenho para dizer a ela, qualquer um pode ouvir. Porque é só gratidão”, se emociona o aposentado de 78 anos. “Eu andava distante da minha fé, mas me recuperei. Graças a ela, que está lá em cima, me ajudando.”

Publicidade

Iria Teresinha presta homenagem anualmente caminhando até Cemitério Santo Antônio Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

Santa

Um dos sepulcros mais procurados do Cemitério Santo Antônio, o túmulo de Marisa Ficagna, é anualmente visitado por fiéis que a consideram uma “santa”.

Marisa foi assassinada a tiros pelo noivo, no dia 21 de abril de 1964, aos 17 anos. Desde então, dizem que a estudante do Colégio Maria Auxiliadora concede graças.

Publicidade

“Antigamente, a gente ouvia mais sobre bênçãos concedidas por ela”, explicou José Garcia, que trabalha no memorial. “Hoje em dia, a gente observa mais as pessoas perguntando por ela e querendo saber onde é.”

De passagem pelo cemitério, onde estão enterrados o marido, sogra, sogro e cunhada, Edelci Maieski, 69 anos, deixou uma vela para a “santa”. Ela disse ter conhecido pessoas agraciadas por Marisa Ficagna.

“Soube de quem se curou graças à santa”, disse. “Não custa rezar um pouquinho deixar ao menos uma vela a cada vez que venho. É a única santa que conheço em Canoas.”

Publicidade

Fiéis dedicam momentos para Marisa Ficagna, que foi “beatificada” pela população de Canoas Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

Calor

No Cemitério Municipal Chácara Barreto, o movimento também passou a ser acentuado a partir do meio da manhã, principalmente com idosos, que se dirigiam aos sepulcros.

As orações individuais e coletivas podiam ser vistas desde a entrada, com fiéis valendo-se de velas, fósforos e flores nas mãos. Porém, poucos carregavam água.

Publicidade

“Eu venho duas vezes por ano”, conta Adair Menezes. “No meio do ano para limpar o túmulo dos meus pais e no Finados só para rezar. Eles merecem. Só não imaginava que estaria tão quente”, observa o pintor de 61 anos.

Devido ao calor, uma idosa com 65 anos chegou a passar mal e precisou ser atendida pelo Samu. Felizmente, ela se restabeleceu. Foi liberada após atendimento, sem maiores preocupações, informou a Administração do Cemitério.

Publicidade

A vendedora Carmem Dias lembra de já ter presenciado vendas melhores que neste Dia de Finados Foto: LEANDRO DOMINGOS/GES-ESPECIAL

Em baixa

Trabalhando há décadas na venda de flores durante o feriado do Dia de Finados, Carmem Dias se ressente de vendas melhores durante a data no Cemitério Santo Antônio. Para ela, o mercado da fé anda em baixa.

“Parece que as novas gerações não se ligam muito, porque quem mantém viva a tradição são os mais antigos”, opina. “Antigamente, a gente costumava fazer dinheiro nesta época, mas hoje é bem complicado.”

Sem a mesma expectativa, a vendedora ambulante Fernanda Santos chegou a circular por entre algumas sepulturas para oferecer arranjos e flores para algumas pessoas que visitaram o Chácara Barreto.

“Há alguns anos, bastava permanecer paradinha e acabar o dia com um dinheirinho bom, mas hoje não é mais assim. Tem que suar a camisa para conseguir ganhar o dia”, comentou a trabalhadora.

Saiba mais

De origem católica, o Dia de Finados é oficialmente chamado de Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. A celebração é dedicada às orações pelos mortos e, para os católicos, está associada à esperança na ressurreição e na vida eterna.

A palavra “finado” vem do latim “fintus”, com o sentido de algo que chegou ao fim. Na tradição religiosa, porém, a homenagem não se limita ao encerramento da vida: envolve a preservação da memória por meio da fé.

Embora consolidada no catolicismo, a data ultrapassou o contexto religioso. Pessoas de diferentes crenças, assim como aquelas que não seguem uma religião, também reservam esse momento para recordar familiares e amigos.

PublicidadeCategorias Brasil Canoas Rio Grande do Sul Vale do Rio dos Sinos Tags cemitério Dia de Finados FINADOS homenagem SANTOS saudade Publicidade PublicidadeTodo conteúdo