A escola estadual Bartolomeu de Gusmão, em Canoas, recebeu do governo do Estado o certificado de reconhecimento ao trabalho desenvolvido em protocolos voltados à prevenção e à resposta a eventos climáticos. A instituição de ensino fundamental elaborou um Plano de Contingência Escolar (Plancon), com uma metodologia dividida em 19 etapas. A iniciativa abrange desde a produção de materiais informativos até a execução de simulados e o suporte psicológico pós-eventos.
PublicidadeCristina (à esquerda), Daniel e Nívea integram o Comitê Plancon Foto: Paulo Pires/GES
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Segundo a direção da escola, o objetivo é garantir organização, rapidez e clareza nas decisões quando houver risco climático. Criado em fevereiro, o “Comitê Plancon” é composto por dez membros, com representantes da equipe diretiva, professores, funcionários, pais e estudantes. O grupo se reúne mensalmente para revisar e atualizar o plano.
“Nossa escola foi uma das três em destaque no evento de apresentação dos protocolos, que envolveu 83 instituições da rede de todo o Estado. Esse reconhecimento reforça o papel da escola como referência na preparação para situações de risco e na organização de respostas coletivas diante de eventos extremos. Contamos com o apoio de instituições parceiras [Unesco e Instituto Alana] na construção do plano”, explica a diretora Cristiane Pena.
Como funciona o plano de contingênciaA transição da teoria para a prática ocorreu gradualmente a partir de julho, com o suporte técnico da Defesa Civil de Canoas e do Corpo de Bombeiros. O treinamento incluiu evacuação de sala de aula, deslocamento pelos corredores, ida a locais seguros internos, caminhada até o ponto de encontro externo e simulação de eventos climáticos, como tempestades e granizo.
“Nos primeiros testes, o sinal elétrico tradicional causou confusão entre os alunos. Eles relacionavam com a troca de turno. Para melhorar a orientação, adotamos o uso de megafones para transmitir as instruções iniciais e de apitos para indicar a movimentação imediata”, detalha a diretora.
PublicidadeNos simulados, a escola testou diferentes cenários, como tempestades, granizo, alagamentos, incêndios e calor extremo. O plano também distribui funções para evitar sobrecarga em momentos críticos. No Plancon, foram definidos responsáveis por liderar operações, manter contato com as famílias, registrar ocorrências, orientar e conduzir as turmas durante a evacuação.
“A implementação do Plancon não reduziu apenas os riscos físicos, mas ajudou a melhorar a saúde mental de alunos e professores. Quando a pessoa sabe o que fazer em situações de risco, isso traz mais segurança e tranquilidade para todos. O conhecimento ultrapassou os muros da escola. As crianças viraram multiplicadoras dos protocolos em casa”, aponta o orientador da escola, Daniel Boeno.
Para garantir autonomia na crise, a escola montou mochilas de emergência, com rádio de pilha, lanterna, apito, kit de primeiros socorros, lista atualizada por turma e guia resumido do Plancon.
PublicidadeEscola montou mochilas de emergência Foto: Paulo Pires/GES
Inclusão e acessibilidadeUm dos pontos inovadores do trabalho é a atenção à neurodiversidade e à acessibilidade de estudantes não verbais. A escola criou pranchas comunicativas e placas alternativas com fotos dos ambientes, editadas com apoio de Inteligência Artificial (IA), para facilitar a identificação dos locais seguros e das ações esperadas.
“Os alunos passaram por atividades de empatia e apoio. Eles passaram por simulações para acompanhar os colegas neurotípicos durante os deslocamentos. Também criamos uma cartilha personalizada para os estudantes, adaptando diretrizes da Defesa Civil de Santa Catarina à realidade da escola”, destaca a professora Nívea Dornelles.
Publicidade Histórico de eventos climáticosAo longo dos anos, a escola Bartolomeu de Gusmão enfrentou tempestades, granizo e a enchente de maio de 2024. Após ficar três meses fechada por causa de uma inundação de três metros de altura, a instituição transformou a experiência em um projeto estruturado de prevenção. O que antes era um cenário de destruição passou a servir de base para um modelo de segurança preventiva que hoje chama atenção em toda a rede estadual.
Escola conta com murais e materiais informativos voltados à prevenção e à resposta a eventos climáticos Foto: Paulo Pires/GES
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