Os pais do menino Oliver Golden Grayson, que morreu aos 3 anos após ser espancado em Viamão, foram denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) nesta quinta-feira (27). A criança foi agredida pelo pai no último dia 5 de julho e morreu três dias depois, no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre.
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Oliver Grayson com os pais Dandre Grayson e Mayanna Rodgers Foto: Reprodução
O pai, o missionário estadunidense Dandre Jermaine Grayson, foi denunciado por homicídio qualificado com dolo eventual e por quatro crimes de tortura praticados contra os próprios filhos. Já a mãe do menino e esposa de Dandre, Mayanna Angelina Rodgers, foi denunciada por quatro crimes de tortura por omissão.
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Na denúncia, apresentada pelo promotor de Justiça Cláudio Rodrigues Araujo, o MP também solicitou a destituição do poder familiar do casal e o pagamento de uma indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais às vítimas sobreviventes.
Dandre foi preso quando Oliver deu entrada no hospital e Mayanna foi presa um dia depois da morte do filho, em 9 de julho.
Publicidade Crime e morteO espancamento aconteceu no domingo do dia 5 de julho, quando o norte-americano deu entrada com o filho no Hospital de Viamão. Diante dos diversos ferimentos apresentados por Oliver, a equipe médica acionou a Brigada Militar, que prendeu Dandre.
Na casa de saúde, o homem admitiu ter agredido o menino com socos e batido a cabeça da criança no chão. Segundo a delegada Luana Tamiozzoto Medeiros, o crime ocorreu porque ele “não havia gostado da forma como o menino falou bom dia”.
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PublicidadeOliver morreu no dia 8 de julho, no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre. O laudo pericial apontou traumatismo craniano e marcas de lesões anteriores ao homicídio, indicando que o menino já vinha sendo agredido.
Irmãos de Oliver também eram agredidosConforme a denúncia, entre o início de 2024 e julho de 2026, quatro crianças da família foram submetidas a intensos sofrimentos físicos e psicológicos em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, culminando com a morte de Oliver em Viamão.
PublicidadeSegundo o MP, Dandre agredia os filhos com socos, tapas, mordeduras e espancamentos com fios e cordas como forma de castigo por motivos banais. As quatro imputações de tortura foram denunciadas com agravantes relacionadas ao fato de as vítimas serem descendentes, menores de 12 anos e estarem inseridas no ambiente doméstico e familiar.
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Mayanna responde pelo crime de tortura por omissão porque, conforme a investigação, tinha conhecimento das agressões, presenciava episódios de violência e deixou de impedir os crimes ou comunicar os fatos às autoridades, apesar do dever legal de proteção decorrente do poder familiar.
PublicidadeO homicídio foi denunciado com as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além das circunstâncias de a vítima ser menor de 14 anos e descendente do denunciado.
Desde a morte de Oliver, o MP também acompanha a situação dos irmãos, que permanecem acolhidos juntos em serviço especializado, com atendimento e medidas de proteção voltadas à garantia de seus direitos.
Publicidade Defesa de MayannaEm nota, a defesa de Mayanna reforça que a denúncia apresentada pelo Ministério Público não acusa Mayanna pelo homicídio do filho e destaca que a imputação de tortura por omissão não é classificada como crime hediondo.
“Diante disso, a partir desta etapa processual, a defesa concentrará seus esforços na busca pela liberdade de Mayanna”, afirma o texto, ressaltando que a acusação ainda será analisada pela Justiça e que Mayanna terá direito ao contraditório e à ampla defesa.
Publicidade“Mayanna não foi acusada de homicídio. Essa distinção é fundamental e precisa ser esclarecida. Vamos trabalhar, agora, para demonstrar sua versão dos fatos e buscar sua liberdade, dentro de todas as garantias previstas pela legislação brasileira”, diz o advogado André von Berg.
O espaço também está aberto para manifestação da defesa de Dandre.
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