oMelhor.Net

MEC amplia compra, mas deixa de fora reposição de livros didáticos para ensino fundamental

MEC amplia compra, mas deixa de fora reposição de livros didáticos para ensino fundamental
Em julho, a pasta havia dito que teria recursos para a compra de todos os livros

O Ministério da Educação (MEC) deixou de comprar a reposição de livros didáticos para alunos de 6º ao 9º ano de ensino fundamental de Ciências, História, Geografia, Arte e Inglês por falta de orçamento. Juntos, eles somam cerca de nove milhões de exemplares. Em julho, a pasta havia garantido que teria os recursos necessários para a compra dos materiais que serão usados em 2026. O material é distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Em comunicado desta sexta-feira, o ministério afirmou que, devido a cortes orçamentários, precisou definir prioridades.

MEC vai punir cursos de medicina mal avaliados em exame a partir de 2026; entendaAdultização das crianças: veja ponto a ponto do projeto de lei aprovado pela Câmara

Os livros para essa etapa escolar são reaproveitados de um ano para o outro. No entanto, todo ano o governo compra aproximadamente 20% do número de alunos para garantir a reposição daqueles exemplares que por algum motivo foram perdidos ou estragaram. Também serve para abastecer escolas que tiveram um aumento do número de alunos de um ano para o outro.

Em 2024, foram comprados pouco mais de 12 milhões de exemplares como reposição de todas as disciplinas que seriam utilizados agora em 2025. Para o ano seguinte, esse material só foi adquirido para Português e Matemática.

Jones Manoel: influencer comunista que denunciou ameaça neonazista 'mudou a cabeça' de Caetano Veloso e foi expulso do PCB

Continuar Lendo

O MEC também decidiu, por falta de orçamento, não comprar obras de projetos integradores, para alunos de 4º e 5º ano do ensino fundamental. Esses são materiais voltados a agregação de conhecimentos e habilidades dos diferentes componentes curriculares e somariam mais quatro milhões de exemplares.

Além disso, a compra dos livros do ensino médio ainda é incerta. O MEC afirma que planeja a adquirir o material em duas etapas. A Associação Brasileira de Livros e Conteúdos Educacionais (Abrelivros) avalia, no entanto, que isso pode levar a um atraso grande para a entrega da segunda parte. O tema ainda está em discussão e o processo, neste momento, não tem atraso. O prazo para que as escolas e os professores escolham as obras que querem trabalhar a partir do ano que vem ainda será aberto na próxima segunda-feira e vai até o próximo dia 6.

Orçamento extra

Em julho, O GLOBO mostrou que o plano do MEC era de cortes bem maiores. Crianças do primeiro ciclo do ensino fundamental (do 1º ao 5º ano) da rede pública receberiam, inicialmente, apenas materiais de Português e Matemática. Nessa etapa escolar, os livros de História, Geografia e Ciências, do 1º ao 3º ano, e de Artes do 1ª ao 5º ano, são consumíveis. Ou seja, os estudantes escrevem e pintam diretamente no material, que fica inutilizado para o ano seguinte. Por isso, caso o MEC não comprasse novos itens, as crianças que ingressarem nessas etapas em 2026 ficariam sem esse material didático.

O PNLD tem um orçamento de R$2,04 bilhões para a compra de livros didáticos. Só que o montante necessário para a compra desses livros é de R$ 3,5 bilhões. Para cobrir a totalidade e conseguir comprar todas as obras previstas, o programa precisa de um aporte de R$ 1,5 bilhões. O MEC reconhece essas dificuldades orçamentárias na compra dos livros didáticos.

Felca exalta 'conscientização nacional' após vídeo sobre 'adultização': 'Doações aumentaram 2600%, criminosos foram punidos'

Desde 2022, o PNLD sofre com reduções orçamentárias, quando teve uma dotação de R$ 2,58 bilhões. Parte dos livros que deveriam ser entregues em 2022, 2023 e 2024 ainda não chegou às escolas, pois o cronograma de compras foi adiado.

Veja a nota completa do MEC e do FNDE:

O MEC, após cortes relevantes no orçamento de 2025, atua pela recomposição necessária à plena execução de seus programas. Nesse contexto, e diante da complexidade singular do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) — sem paralelo em escala, diversidade e periodicidade nas compras públicas —, ficou definido que, neste ciclo, a prioridade será a reposição de livros de Língua Portuguesa e Matemática para os anos finais do fundamental; Português, Matemática, Ciências, História, Geografia e Artes para os anos iniciais; além da aquisição integral das obras da Educação de Jovens e Adultos (EJA), literárias e do Ensino Médio.

As reposições destinadas a alunos novos e à substituição de livros extraviados já estão em fase de contratação, assegurando acervo atualizado e em boas condições de uso. Essa priorização concentra esforços nos materiais de maior impacto pedagógico, preservando a qualidade e a efetividade do PNLD.

O FNDE também adota a compra escalonada no ensino fundamental, atendendo demanda das redes e orientações pedagógicas. Para a EJA, as aquisições estão garantidas, com licitação em fase final.

No caso do Ensino Médio, a escolha das obras do PNLD 2026-2029, a ser realizada pelos diretores, ocorrerá entre 25/08 e 05/09. A aquisição será definida após a finalização do processo e o processamento dos dados.

Mais recente Próxima Justiça amplia prazo e Teatro de Contêiner tem 180 dias para deixar imóvel em São PauloTodo conteúdo