O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, comandou na noite desta quarta-feira (4) uma sessão secreta convocada para discutir a acusação de assédio sexual envolvendo uma jovem de 18 anos contra o ministro Marco Buzzi.
Sorteio: Nunes Marques assume a relatoria de acusação de assédio sexual contra ministro do STJMaster: STJ pede para PGR se manifestar sobre pedido de investigação contra IbaneisSegundo a equipe da coluna apurou, Buzzi deve pedir à presidência do STJ uma licença médica para se afastar temporariamente das suas atividades no tribunal. A expectativa de colegas é que o pedido seja formalizado nesta quinta-feira (5). O ministro vem sofrendo pressão interna de colegas, que se disseram “chocados” e "horrorizados" com o episódio, considerado “gravíssimo”.
Na reunião, o plenário do STJ também decidiu por unanimidade abrir uma sindicância. Os ministros Raul Araújo, Isabel Gallotti e Antônio Carlos Ferreira foram sorteados como membros da comissão que vai cuidar do caso.
Na mira: Relator de CPI vê suspeita de lavagem de dinheiro em contrato com mulher de MoraesRioprevidência: Aportes multimilionários no Master foram aprovados em tempo recorde, diz PFBuzzi é acusado de tentar agarrar três vezes a filha de uma advogada na praia de Balneário Camboriú (SC) em janeiro deste ano, conforme revelou a revista Veja. O caso foi remetido ao Supremo já que ministros do STJ possuem prerrogativa de foro perante o STF.
À Polícia de São Paulo, onde registrou a ocorrência, a jovem afirmou que desde o episódio não consegue dormir e sofre pesadelos constantes, além de estar sendo acompanhada por psicóloga.
STM: Relator do caso Bolsonaro votou para reduzir penas de militares que fuzilaram músico EvaldoJustiça militar: A torcida dos militares da trama golpista para o julgamento que pode expulsá-los das Forças ArmadasO ministro participou apenas da abertura da sessão, quando deu sua versão dos fatos. Negou as acusações e disse que foi surpreendido com as notícias na imprensa. Depois disso, se retirou do local, e os ministros deliberaram a abertura da sindicância.
Em outra frente de investigação, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu um procedimento para apurar as acusações contra o ministro. Enquanto o procedimento do CNJ tem natureza administrativa (com a possível aplicação de medidas contra o magistrado, como afastamento das funções), no Supremo o processo tem natureza criminal, podendo levar a uma condenação de Buzzi.
Mapa de votos: O cálculo de aliados de Flávio Bolsonaro para derrotar Lula nestas eleiçõesAs acusações contra Buzzi vêm à tona em um momento em que a Polícia Federal segue com as investigações de um esquema de venda de sentenças judiciais no STJ que mira uma rede de lobistas, advogados, empresários e ex-servidores de gabinetes de outros três ministros.
A denúncia de assédio sexual chocou ministros do STJ, que passaram a defender reservadamente o afastamento do magistrado de suas funções. “As acusações são gravíssimas. Estamos em choque”, disse um integrante do STJ ouvido em caráter reservado.
Master: Diretor do BC foi confrontado por conselheiros do BRB sobre pedido de compra de carteirasVeja ainda: Filho de Lewandowski herdou contrato milionário com o Banco Master após pai virar ministro de LulaUm outro ministro definiu o caso como um “horror”. “Não tem uma boa saída. Ou ele se afasta ou ele acaba afastado”, comentou.
Na avaliação de um terceiro magistrado, o afastamento de Buzzi é necessário já que ele foi "julgado e condenado pelo tribunal do povo".
Articulação: Ministros do STF defendem prisão domiciliar para BolsonaroTrama golpista: A visita dos peritos da PF a Bolsonaro na PapudinhaEm nota, Buzzi disse que “foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas” pela imprensa, que, segundo ele, “não correspondem aos fatos”. Buzzi também disse que “repudia toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”.
O CNJ, por sua vez, informou que a Corregedoria do órgão já colheu depoimentos e que o caso tramita sob sigilo para “preservar a intimidade e a integridade da vítima, além de evitar a exposição indevida e a revitimização”.
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