"Ter parceiros fora dos circuitos tradicionais enseja a possibilidade de desenvolvimento de tecnologia, o que é muito importante para o Brasil. Por isso buscar países como Índia, Turquia, África do Sul, entre outros; indica como o Brasil quer criar seu espaço de autonomia internacional."
Panorama internacionalOcidente perde dominância em meio ao crescimento do BRICS e Sul Global, diz revista4 de novembro 2025, 11:28O decreto que instituiu a nova PND enfatiza que a ampliação da demanda por recursos naturais tende a intensificar disputas abertas, e frisa que grande parte desses recursos estão na Antártica, na América do Sul e na África, esses dois últimos continentes alvos de intensa exploração no período colonial.Para Teixeira, "sem dúvida", a questão dos recursos naturais implicará grande tensão no sistema internacional, levando a conflitos, mas não necessariamente apenas entre o Norte e o Sul Global, como espaços distintos. Ele explica que é provável que haja "alianças mais diretas entre países", não blocos, com os países do Norte tentando "puxar os países do Sul individualmente"."É mais possível que tenhamos alianças entre Estados desses blocos, nas quais a lógica da grande competição global se reproduzirá na busca por recursos, de maneira mais e mais agressiva, ainda mais no contexto da questão tecnológica com computação de grande capacidade, chips e sistemas de inteligência artificial."Por sua vez, Rubens de Siqueira Duarte, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Militares da ECEME e coordenador do Laboratório de Análise Política Mundial (Labmundo), diz não considerar que há uma nova época marcada pelo distanciamento da OTAN."A OTAN ocupa e continuará ocupando uma importância muito significativa na defesa brasileira, em termos políticos, estratégicos, doutrinários, de cooperação e de fornecimento de equipamento. Ter essa relação positiva com a OTAN não significa obrigatoriamente que não podemos ter outras parcerias. E é isso que estamos buscando."
Ele afirma que "existe uma transição geopolítica de poder" a qual o Brasil precisa observar com atenção e da qual precisa proteger os interesses de sua população."Isso inclui buscar novas parcerias, novos mercados, aproveitando essa rivalidade global", aponta o analista.Panorama internacional'Shift of power to Asia': BRICS fará do século XXI o século do Sul Global?24 de julho 2025, 20:50Duarte afirma que "não há novidade" no acirramento das disputas por recursos naturais entre Norte e Sul Global apontado no decreto da nova PND. Ele frisa que "desde 1500 os países centrais têm uma relação de dominação e de exploração frente aos países periféricos"."Nessa divisão geopolítica global, os países do Sul acabam sempre sendo alvo das cobiças, em especial por produtos primários. O Sul é fornecedor de matéria-prima há 500 anos. Já foram especiarias, já foi madeira, já foi café, cana-de-açúcar, petróleo. Hoje em dia, as terras raras ocupam lugar de destaque. Muda-se o produto cobiçado, mas a dinâmica é a mesma."
China é a nova potência militar do mundo multipolar?O Brasil vem estreitando laços de defesa com a China. Em agosto, enviou adidos militares de alta patente para a embaixada em Pequim; em setembro, o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que o Brasil estava aberto a uma cooperação militar com a China.Sobre a China estar suplantando os EUA como maior potência militar do mundo, em paralelo à ascensão da multipolaridade, Teixeira afirma que ainda é cedo para fazer tal afirmação."Neste momento, Pequim parece ter a preocupação de construir uma capacidade militar que respalde a defesa de seus interesses, primeiro no Pacífico e em segundo nível no globo", aponta.
Ele acrescenta que os acenos do Brasil à China no âmbito da cooperação militar "são uma atualização para reconhecer o status chinês na nova realidade geopolítica". Ele frisa que já havia adidos brasileiros no país e que o que houve em agosto foi um "upgrade", com o envio de um general do Exército e um almirante da Marinha."A depender das políticas que podem ser decididas, há avenidas para desenvolvimento tecnológico e para iniciativas, mas tudo isso depende também de decisões do nível político, o que não vimos ainda."Duarte considera que não há um movimento da China para suplantar militarmente os EUA nem interesse de Pequim nesse aspecto."O que há é um tratamento especial que acompanha o crescimento geopolítico e econômico chinês. O Brasil é um país muito diverso, com muitos interesses. Portanto, o país precisa ficar atento e ser sensível a essas variações na política global", conclui o analista.
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