Inovação, autonomia e dissuasão. Assim o presidente Vladimir Putin avaliou a nova era do programa estratégico militar da Rússia em reação aos desafios trazidos pela difícil geopolítica global. Conforme o líder russo, o sistema Burevestnik, por exemplo, já "supera o alcance de todos os sistemas de mísseis conhecidos no mundo e possui alta precisão de alvo"."Tais avanços tecnológicos não surgem do nada. São fruto do trabalho e do talento de muitas gerações de nossos grandes compatriotas. O sucesso na criação de sistemas complexos como o Burevestnik e o Poseidon prova o enorme potencial da nossa ciência moderna, universidades e indústria", destacou Putin ao longo do discurso, ao lembrar que tais inovações ainda abrem caminho para o desenvolvimento de diversos setores civis.
Para assistir a este vídeo, por favor ative o JavaScript e use um navegador que suporte recursos do HTML5
© telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagensMais uma vez, Putin ressaltou que a Rússia "não representa ameaça para ninguém" e que, assim como as demais potências nucleares, "está desenvolvendo seu potencial nuclear e estratégico". Aliado a isso, o presidente enfatizou que os avanços anunciados nesta terça-feira (4) fazem parte de um programa já anunciado há anos, com foco em reforçar a postura defensiva do país e voltada ao equilíbrio estratégico mundial.O analista internacional e professor de geopolítica do Laboratório de Pesquisa em Relações Internacionais das Faculdades de Campinas (Facamp), James Onnig, lembra à Sputnik Brasil que o cerco promovido pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) nos últimos anos sobre o território russo levou a uma "assimetria de poder, tanto ofensivo quanto defensivo"."Mesmo com os tratados sobre mísseis de longo alcance ainda em discussão, é possível afirmar que os avanços tecnológicos da Rússia buscam restabelecer um equilíbrio de forças, tanto a oeste quanto a leste dos montes Urais. A parte ocidental da Rússia — a mais populosa e que concentra a maior parte dos recursos econômicos, industriais e tecnológicos — precisa de uma defesa sólida", pontua, ao acrescentar ainda que o mundo vive uma radicalização marcada muitas vezes por uma "russofobia injustificada" que aprofunda as tensões.Diante disso, o especialista vê o avanço tecnológico do país como essencial para "arrefecer os ânimos, sinalizando que o conflito direto não é uma opção".Para assistir a este vídeo, por favor ative o JavaScript e use um navegador que suporte recursos do HTML5
© telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagensDefesa russa de alta complexidadeO especialista militar e oficial da reserva da Marinha Robinson Farinazzo explica à Sputnik Brasil que o a ideia de se criar um míssil com propulsão nuclear é antigo, que remonta aos anos 50 e 60, mas só recentemente esse conceito foi efetuado no sistema Burevestnik."Hoje, com novos sistemas tecnológicos, isso se tornou factível. O Burevestnik é um sistema novo, enquanto a maior parte das defesas ocidentais foi projetada nos anos 1980. O sistema Patriot, por exemplo, entrou em serviço na Guerra do Golfo, em 1991. Essa busca pela vanguarda tecnológica faz parte da tradição russa", analisa.Outra característica do sistema russo, conforme Farinazzo, é ser praticamente autônomo, com a possibilidade de permanecer em voos de baixa altitude, o que dificulta sua detecção. "Isso representa uma ameaça considerável. Mesmo que 90 dos 100 mísseis sejam abatidos, os 10 restantes continuam operando e imprevisíveis. Essa capacidade de operação prolongada é seu grande diferencial", complementa.Panorama internacionalRússia sabe 'unir forças' diante das ameaças, afirma Putin4 de novembro 2025, 12:34Em relação ao sistema Poseidon, um equipamento inovador que mistura os conceitos de veículo autônomo não tripulado e torpedo, a lógica é a mesma: depender cada vez menos de tripulação.Porém, ele serve como "arma de retaliação e tem capacidade de permanecer em stand-by como drone antes de ativar o modo de alta velocidade". Diante disso, o especialista considera que a filosofia de defesa ocidental "não levou em conta o surgimento de artefatos com esse nível de autonomia".'Indústria militar voltada à estratégia, não ao lucro'Ao analisar como a Rússia conseguiu desenvolver sistemas militares tão avançados, Robinson Farinazzo lembra que o país conta com mais de 30 institutos dedicados ao desenvolvimento de armas, com estudos e pesquisas que são realizadas de forma contínua. "Se uma geração de armas entrou em serviço, é porque outra já está sendo preparada", destaca.Para assistir a este vídeo, por favor ative o JavaScript e use um navegador que suporte recursos do HTML5
© telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagensAliado a isso, o especialista militar argumenta que o complexo militar-industrial da Rússia cumpre com uma finalidade estratégica, enquanto nos Estados Unidos, principal potência ocidental, é voltado ao lucro. "Por isso, os sistemas americanos acabam mais caros, pois precisam sustentar executivos, dividendos e lobbies. Já na Rússia, o foco é a eficácia do armamento".Farinazzo também comenta sobre o anúncio de que os os mísseis balísticos intercontinentais RS-28 Sarmat vão entrar em serviço no próximo ano. Conforme o analista, o lançamento não ocorre para ser utilizado de forma imediata, mas garantir o equilíbrio estratégico global."A dissuasão russa funcionou: quando o conflito da Ucrânia começou, havia pressões no Ocidente para criar uma zona de exclusão aérea, o que seria impossível sobre território russo. Essa capacidade nuclear garantiu que a OTAN apoiasse a Ucrânia, mas sem enviar tropas diretamente. Se a Rússia não tivesse esse poder, provavelmente a OTAN já teria intervindo com forças terrestres", compara.Para assistir a este vídeo, por favor ative o JavaScript e use um navegador que suporte recursos do HTML5
© telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens'Uma arma contra a qual há poucas defesas'Por fim, o especialista ressalta o início da produção em série de mísseis do sistema Oreshnik, considerado "extremamente veloz e capaz de lançar iscas para enganar sistemas defensivos". Para Farinazzo, essa tecnologia vai dar início a uma nova geração de armas, para o qual "o Ocidente ainda não está preparado"."Seu impacto cinético é enorme e, por enquanto, é uma arma contra a qual há poucas defesas. Devem ocorrer dois desdobramentos: o custo de produção, que hoje é alto, deve cair; e é provável que a tecnologia acabe sendo compartilhada — ou replicada — por países como China, Coreia do Norte e Irã", argumenta.Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).
Todo conteúdo